Posse e Exercício – o tão esperado dia chegou!

Como citei no texto “Enfim, convocado!”, fui convocado para o STJ no dia 26 de março de 2009. A partir dessa data, corri atrás das documentações necessárias para a posse e realizei os exames médicos para que, assim que fosse nomeado, pudesse assumir o cargo. Uma curiosidade que muitos não sabem é que é possível tomar posse e entrar em exercício na mesma data da nomeação. Os prazos legais são referentes a um limite máximo de tempo.

No dia 31 de março, fui nomeado, como citei no texto “Nomeação”. Estava apenas aguardando os resultados dos exames médicos para entregar tudo ao tribunal e começar a trabalhar. Planejei fazer o exame admissional, a análise de tendência comportamental e entregar os documentos no dia 3 de abril (sexta-feira) para poder tomar posse no início da semana seguinte (dia 6 de abril). Porém, para estender mais um pouco minha ansiedade, recebi a informação de que a posse só ocorreria na semana do dia 13 de abril, pois seria a primeira semana após o recesso da semana santa que no judiciário é a partir da quarta-feira.

No dia 3 de abril, recebi um e-mail do STJ com o seguinte assunto “Data da Posse e Exercício – Concurso STJ”. A sensação de alívio foi imensa, pois finalmente havia uma data exata. Segue trecho do e-mail que recebi:

“Senhor(a) Candidato(a):
Informo que a posse e exercício decorrente de nomeação para cargo efetivo do STJ acontecerá no dia 13/4/2009, segunda-feira, às 13 horas, na Seção de Provimento e Vacância (3º andar do prédio da Administração).
Os candidatos deverão trajar vestimenta apropriada, sendo terno e gravata para os homens e roupa social para a mulher, evitando-se o uso de peças curtas e/ou transparentes. No mesmo dia haverá o Curso de Ambientação, com horário de término previsto para as 19 horas. (Haverá um tour pelo STJ e poderão trazer máquina fotográfica)”.

A partir desse e-mail, para todos os que me perguntaram sobre a data da posse, eu respondi: “Será no dia 13, às 13h e de terno”. rs

Como no Bacen trabalhei compulsoriamente por 3 anos em um setor o qual não me agradava, fiquei temoroso quanto minha possível lotação no STJ, de forma que descobri o ramal das pessoas responsáveis e liguei diversas vezes. Não obtive qualquer retorno, pois o que foi dito era que minha lotação seria determinada por diversos fatores: currículo, resultado da análise de tendência comportamental, disponibilidade de vagas, dentre outros.

Como até então eu era servidor do Poder Executivo, tive de trabalhar até o dia 9 de abril (quinta-feira), o dia em que pedi vacância do cargo. Nota-se que a teoria é diferente da prática. Na teoria, a exoneração é um tipo de vacância. Na prática, vacância e exoneração são coisas bem diferentes. Uma das diferenças que encontrei foi que se eu pedisse exoneração, receberia minhas férias em pecúnia. Pedindo vacância, eu levaria minhas férias para o STJ, já que continuaria na esfera federal. Apesar de minha aprovação no concurso do STJ ter sido uma grande conquista pessoal, o dia 9 foi ao mesmo tempo feliz e triste para mim. Feliz, pois estava dando mais um passo em minha vida, subindo mais um degrau, por meio de meu esforço e determinação. Triste, pois estava deixando amigos, uma rotina de quase 3 anos, para começar tudo de novo. Cheguei a me questionar: “Por que todo ganho envolve uma perda?”. Bom, assim é a vida. À noite marquei um happy hour de despedida com os colegas de trabalho.

O dia 13 finalmente chegou e eu fiz questão de ir todo arrumado – comprei tudo novo (terno, gravata e camisa). Chegando lá, encontrei mais 3 pessoas. Tomamos posse coletiva, nós quatro, e já entramos em exercício. Passamos a tarde toda conhecendo o tribunal, por meio de vídeos, palestras e visitando as instalações físicas, projetadas por Oscar Niemeyer. Ao final do dia, ainda não obtive retorno à respeito da lotação, mas recebi a resposta acerca do requerimento administrativo que protocolei questionando a reserva de vaga. Como citei no texto “Enfim, convocado!”, a resposta realmente veio quando já me tornei servidor. :)

Dia 14 me apresentei e fui levado ao setor em que trabalharia. Fui lotado na área de Gestão de Pessoas, na Coordenadoria de Legislação de Pessoal, no Setor de Aposentadorias e Pensões. O objetivo do tribunal é fornecer subsídios para que eu possa me especializar, de forma a desenvolver as atividades do setor sem que haja uma queda significativa de produtividade, já que atualmente há apenas 5 servidores, incluindo eu, sendo que um irá se aposentar em 1 mês e outro em aproximadamente 3 anos. A coordenadora de minha coordenadoria explicou os motivos os quais a levaram a me requisitar. Eles precisavam de alguém com capacidade de produção textual, que soubesse fazer contas e pudesse se especializar, como já citei. Quando ela soube que eu fui o indivíduo que protocolou o requerimento administrativo que questionava a reserva de vaga, que tenho formação em Engenharia e já fui professor de matemática e que sou novo, fui escolhido. Notem que meu requerimento administrativo, pelo menos para influenciar em minha lotação, serviu. :) Posso afirmar que até agora estou super empolgado com as atividades que estou executando e motivado a me desenvolver na área em que estou atuando. A ralação é intensa, mas acredito que esse deva ser o caminho para se colher bons frutos.

Para finalizar, vou postar algumas fotos que demonstram minha felicidade. Que sirvam de motivação para vocês, pois poderão ser os próximos a passar por isso.

Frente do STJ vista por dentro. Observem o design feito por Oscar Niemeyer.

Plenário, visto de cima, em frente aos diversos lugares designados ao público.

Os recém servidores do STJ – em frente à escultura da Pomba Branca.

Eu – no parlatório do plenário.

Eu – sentado na cadeira do Senhor Ministro César Asfor Rocha – presidente do STJ, no plenário. Acho que essa é a foto mais significativa de todas, pois deixa a idéia de que o limite é o infinito. Se vocês querem se sentar naquela cadeira, lutem por isso. Não digo apenas para uma foto, mas para ter o nome de vocês eternizado. Tenham foco no objetivo de vocês, planejem cada passo, com bastante determinação, que o retorno será gratificante.

Um dos diversos souvenirs que recebi no dia da posse – o que achei mais criativo. No chocolate está escrito: “Bem vindo ao STJ”. :)



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Nomeação

Logo cedo já tive a excelente notícia: fui nomeado! :) Agora é preparar tudo para tomar posse, se der tudo certo, na semana que vem!
Abraços e obrigado mais uma vez pela força que vocês, caros leitores, transmitiram.

Segue trecho do Diário Oficial da União:

D.O.U de 31/03/2009, seção 2, p. 42

SECRETARIA DE GESTÃO DE PESSOAS

PORTARIA Nº 94, DE 30 DE MARÇO DE 2009

A SECRETÁRIA DE GESTÃO DE PESSOAS DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, considerando a atribuição prevista no art. 105, I, do Regulamento da Secretaria do Tribunal e o
disposto nos arts. 9º, I, e 10 da Lei n. 8.112, de 11 de dezembro de 1990, e no art. 7º da Lei n. 11.416, de 15 de dezembro de 2006, assim como o que consta do Processo Administrativo STJ 3208/2008, resolve:

Nomear, em caráter efetivo, nos cargos abaixo discriminados, classe A, padrão 1, os seguintes candidatos habilitados em concurso público realizado pelo Superior Tribunal de Justiça:

Cargo: Analista Judiciário, Área Administrativa

NOME DO CANDIDATO ORIGEM DA VAGA

MARCELO HIROSSE Aposentadoria de Maria da Consolação Silva



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Enfim, convocado!

No texto “Justiça?”, citei que um mandado de segurança determinou que uma vaga, de Analista Judiciário – Área Administrativa, fosse reservada. Infelizmente era a vaga que seria por mim ocupada. Nesse mesmo dia, 13 de fevereiro, resolvi correr atrás do prejuízo: procurei os professores de Direito do cursinho que fiz e pedi um conselho sobre que atitudes tomar diante disso. Foi sugerido copiar o processo da candidata para depois fazer um plano de ação. No dia 16 de fevereiro, fui ao TRF e copiei o processo. À noite, fui novamente procurar os professores com a cópia em mãos e várias sugestões foram feitas, desde entrar com requerimento pela via administrativa a entrar com processo pela via judicial. No dia 17 de fevereiro, elaborei um texto contando tudo o que estava acontecendo e transcrevi os pedidos e a decisão do processo. Enviei para uns 8 conhecidos formados em Direito. Como só um respondeu, tomei a seguinte atitude: fui ao STJ e conversei pessoalmente com os servidores do Setor de Provimento e Vacância. Estava decido: entraria pela via administrativa. Nesse mesmo dia, redigi um requerimento formal. Os principais motivos que me fizeram tomar essa decisão foram: a minha classificação, pois eu seria o próximo a ser chamado, e o gasto que teria para entrar com mandado de segurança para lutar pela vaga que já era minha. Cheguei a pesquisar preços com alguns advogados. Todos que trabalham com essa área de concursos, além de cobrar uma quantia para elaborar o mandado de segurança, cobram ainda, caso obtenham êxito, um percentual das primeiras remunerações do futuro cargo público. Considero isso um absurdo. No dia 18 de fevereiro, pela manhã, enviei o texto que havia escrito para um amigo advogado que fez um pente fino. À tarde, arrumei tudo e protocolei no STJ.

Segue um trecho do requerimento administrativo:

“Da decisão liminar, transcrevo o seguinte trecho “Como existe o risco de a eventual vaga da Impetrante ser provida caso a correção e a análise do recurso não ocorram antes da nomeação, a reserva de vaga é prudente, a título de cautela.”. Nestes termos, depreende-se que a Douta Magistrada tenha determinado a reserva de vaga dentro do quadro de classificação mínimo pretendido pelaImpetrante, e sem que tal circunstância pudesse obstar o legítimo acesso a este candidato, muito mais bem classificado, ainda que viessem a ser deferidos os pontos adicionais sub-judicie.

Assim, ainda que obtenha êxito no processo, a candidata teria como nota final 94,00 pontos, o que elevaria a sua classificação somente ao 18º lugar, fato este facilmente verificado no resultado final do concurso, Edital n.º 10 – STJ, de 12 de dezembro de 2008, e na tabela de convocados do STJ disponível no sítio “http://www.stj.jus.br/web/concurso/listaAprovados?seq_cargo=38&ano_concurso=2008
&ordenacao=seq_classificacao%20ASC&ind_deficiente=0&nome_aprovado=”, ambos em anexo.

Sendo assim, a revisão da forma do cumprimento, nos termos expostos, poderá corrigir a injusta lesão ao meu direito legítimo, que certamente não abrange o escopo do Decisum.

Nestes termos, requeiro:
a) que a reserva da vaga seja razoável e proporcional, desde que feita considerada a possível classificação da Impetrante, no 18º lugar, em respeito à decisão judicial, e à preferência na convocação àqueles mais bem classificados.
b) que este requerente seja de pronto convocado para tomar posse na vaga ora disponível, em obediência aos ditames do Concurso, visto ser o primeiro classificado apto à vaga, em razão da pontuação final obtida.”.

A partir do dia 25 de fevereiro, liguei praticamente todos os dias para saber se foi dado algum andamento. Comecei pela presidência, que foi para onde enderecei o requerimento. Nos próximos dias liguei para diversos setores: do Secretário Geral, do Diretor Geral, de Provimento e Vacância, até chegar a Coordenadoria de Legislação. Foi neste setor, no dia 11 de março, que obtive a primeira posição do tribunal: a reserva da vaga seria mantida. A decepção foi tão grande que resolvi cruzar os braços e esperar minha vez chegar. Coloquei em minha cabeça que TUDO TEM SEU TEMPO!

Inesperadamente, dia 26 de março, recebi uma ligação do STJ. Finalmente fui convocado por uma servidora do Setor de Provimento e Vacância. Ela disse “Marcelo, estou te ligando para te convocar para o STJ, você tem interesse?” e eu respondi “Lógicooo! Se você soubesse o que eu já fiz para chegar esse momento”. rs Assim que desliguei o celular, fiquei super exaltado de forma que todos que estavam ao meu redor notaram minha felicidade. Com medo de ser mais uma ligação frustrada como a que recebi no dia 9 de fevereiro, liguei em seguida para falar com a chefe do Setor e confirmar a notícia. Era verdade, no mesmo dia 26 saiu no DOU uma aposentadoria de uma Analista Judiciária – Área Administrativa, e eu provavelmente serei nomeado na semana que vem para ocupar esse cargo vago. Para retificar mais uma vez, fui ao site do STJ, entrei no Quadro de Convocados de Analistas Judiciários – Área Administrativa do concurso de 2008 e vi em frente ao meu nome “CONVOCADO PARA O STJ”.

Quanto ao requerimento administrativo, até hoje não obtive qualquer retorno formal. Talvez a resposta do Tribunal seja entregue em minhas mãos quando eu já fizer parte do quadro de servidores de lá. rs

A felicidade que sinto agora é inexplicável. E mais uma vez, divido com vocês um momento chave de minha vida. Gostaria de agradecer pelas mensagens de apoio, pelas correntes de oração, pelos pensamentos positivos, enfim por toda a força que recebi. Acredito realmente que, quando canalizamos energias positivas, as coisas tendem a dar certo. Mais uma vez OBRIGADO PESSOAL. Saibam que essa alegria que agora sinto, fará parte da vida de vocês em um futuro muito próximo. E que venha a nomeação! :)



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Ufa, formei e meu diploma não usei!

Em 2002 entrei no curso de Engenharia de Redes de Comunicação na UnB. Na mesma época, recebi uma proposta para ser monitor de matemática do colégio em que estudei. Aceitei a oferta e iniciei meu curso superior já trabalhando. Nos dois primeiros semestres, foi uma maravilha, tudo era novo e interessante. A partir daí, comecei a me dedicar à matemática e lutar para me tornar professor. Nas matérias optativas e de módulo livre, dei maior ênfase àquelas relacionadas com matemática e educação, como Teoria dos Números, Geometria 1 e Psicologia da Educação. Meu curso começou a perder o sentido. Pensei em abandoná-lo quando estava no quarto semestre, mas meus pais insistiram para que eu não fizesse isso, afinal me tornaria um Engenheiro. Queria fazer o curso de Licenciatura em Matemática. Depois que me tornei professor substituto, quase desisti mais duas vezes de meu curso. Um fator que me deu forças para continuar foi o tempo restante que faltava para concluir minha graduação.

No sexto semestre, segundo semestre de 2004, resolvi me tornar um empreendedor e abri uma escolinha de reforço. Aluguei sala, comprei móveis, investi em publicidade, contratei professores, enfim foquei todas minhas atenções nisso e deixei meu curso um pouco de lado. Resultado: estava quase reprovado em duas matérias. Resolvi me dedicar para a mais difícil e no fim reprovei na mais fácil. Meu curso tem a duração normal de 5 anos e eu não queria me formar após esse período, pois, como tudo em minha vida, planejei formar no tempo certo. A reprovação naquela disciplina fez com que o fluxo de matérias do curso fosse prejudicado. Tentei encontrar alguma alternativa, pois faltavam dois anos para me formar.

Era final de 2005, quando tentei pela primeira vez estudar para algum concurso público, o de Técnico do Bacen com 35 vagas, como relatei no texto “Bacen – preparação, concurso e ambiente de trabalho”. Em dezembro daquele ano, fiz a prova da CAESB para o emprego de Técnico em Telecomunicações. Não tinha muitas esperanças de ser aprovado por serem apenas 2 vagas, mas fiz mesmo assim já que estava estudando.

No início de 2006, saiu o resultado final da CAESB: consegui o 2º lugar no concurso. Cogitei ser aprovado no concurso do Bacen também e já comecei a pensar sobre qual assumiria. Por um lado, na CAESB eu trabalharia com a área de minha graduação e no Bacen com a área administrativa. Por outro lado, na CAESB, empresa distrital, eu ganharia R$ 1605,34 e, no Bacen, autarquia federal, R$ 3154,03. A questão financeira venceu, afinal ganharia quase o dobro no Bacen e trabalharia na esfera federal. Foi muito difícil abrir mão do meu emprego de professor, pois havia me identificado muito com essa brilhante profissão.

Voltando ao problema de me formar no tempo certo, seria muito difícil pegar matérias extras já que provavelmente estaria trabalhando 8 h/dia. Tive a idéia de estudar para tirar a certificação Toefl, da língua inglesa para estrangeiros, o que me renderia 16 créditos, pois equivaleria a quatro matérias de quatro créditos: uma optativa, “Inglês Instrumental 1″, e três módulos livres, “Inglês: Expressão Escrita 1″, “Introdução a Morfossintaxe do Inglês” e “Inglês: Compreensão da Lingua Oral 1″. Estudei aproximadamente 1 mês por meio de um livro específico, e no dia 6 de junho de 2006, fiz a prova e consegui ser aprovado.

Elaborei minha monografia em um ano, no segundo semestre de 2005 e no primeiro de 2006. Trabalhei em cima do tema “Mecanismos de Segurança da TV Digital Interativa”. Na época, um assunto pouco explorado e com grande perspectiva de futuro. A monografia no curso de Engenharia é feita em duas partes, sendo que o primeiro semestre corresponde ao “Projeto Final 1″ e o segundo, ao “Projeto Final 2″. Iniciei o desenvolvimento em dupla, mas infelizmente o trabalho do Projeto Final 1 foi prejudicado, pois meu colega não se dedicou o suficiente e foi reprovado. Tive, portanto, de prosseguir com o Projeto Final 2 sozinho. No fim deu tudo certo e fui aprovado com a menção máxima. Como antecipei em um semestre a elaboração do meu Projeto Final, fiz o décimo e último semestre tranquilamente com o objetivo apenas de completar os créditos necessários e, no final de 2006, estava enfim formado, dentro dos 5 anos.

Assim que me graduei, tive a proposta de fazer um mestrado na própria UnB sobre o mesmo assunto de minha monografia. A idéia seria prosseguir o estudo. Poderia estar trabalhando em alguma grande empresa privada hoje em dia. Afinal, seria um Engenheiro cursando um mestrado em TV digital, tema atualmente super badalado. Mas estava decidido: queria me dedicar aos concursos e usar meu diploma de nível superior para ser Analista de alguma entidade governamental.

Em 2007 resolvi descansar e aproveitar um pouco a vida. Fiz alguns concursos na área de TI sem estudar. Obviamente não fui aprovado. No meu trabalho, Bacen, surgiu a possibilidade de trabalhar com a área de programação e eu resolvi topar o desafio, pois gostava de programar e conhecia algumas linguagens como Java, C++ e VRML. Tive de aprender linguagens novas: C# e ASP.NET. Fiz dois curso oficiais da Microsoft e comecei a entender do assunto. Comprei alguns livros também. Estava pronto para começar um grande projeto. No início foi legal ver o resultado e saber que estava evoluindo. Quando as cobranças começaram a aparecer e a falta de conhecimento começou a pesar, tudo foi mudando. Precisava trabalhar da hora de entrada até a hora de saída. Saia do serviço muito cansado, afinal programar é algo complicado, pois uma vírgula errada faz com que nada funcione. Comecei a me comparar com os colegas que ficavam apenas com a área administrativa e percebi que o volume de trabalho era bem menor e que não era necessário se estressar com as tarefas. No fim do dia estavam bem mais dispostos que eu. Comecei a tomar aversão pela área de TI e consegui me desligar do projeto que envolvia programação. Foi a partir dessa experiência que comecei a pensar seriamente em não trabalhar com minha área de formação.

O primeiro pensamento que tive foi que estaria em desvantagem prestando concursos para a área administrativa, acreditava que meu diferencial estava justamente nas ciências exatas. Porém encarei esse desafio e minha meta para 2008 foi justamente usar meu diploma para me tornar um Analista, como havia planejado no final de 2006. Consegui conquistar meu objetivo, como relatei no texto “Rumo ao STJ: da preparação ao concurso.”.

Muita gente já me questionou porque não fiz um curso mais tranquilo e rápido, já que meu objetivo seria me tornar um servidor público. Acho que uma das respostas eu já dei: decidi isso no fim de meu curso, ou até mesmo quando comecei a estudar para o concurso do Bacen em 2005. E hoje eu tenho uma certeza: o curso de Engenharia na UnB fez com que eu me tornasse um auto-didata e não tivesse medo de encarar os livros. Tive professores que praticamente não davam aula e consideravam a matéria como dada, restava a mim ter de encontrar livros para estudar sozinho. Algumas vezes só havia livros em inglês e com muitos termos técnicos. Ou eu dava um jeito de aprender a matéria até a data da prova, ou estaria reprovado. Hoje acredito que se tivesse feito outro curso, talvez não tivesse alcançado tudo o que já conquistei. Nada é por acaso.



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Justiça?

No texto “Rumo ao STJ: da preparação ao concurso”, citei que recebi uma ligação do setor de provimento e vacância do STJ no dia 9 de fevereiro de 2009. É claro que isso me deixou feliz, pois se estavam fazendo uma sondagem, era porque planejavam me chamar, assim conclui. Procurei não comemorar antes da hora, pois queria ver meu nome publicado no DOU. E realmente tomei a melhor decisão.

O pessoal aprovado no concurso, ainda não nomeado, criou um grupo de e-mails para trocar informações. Há pouco li um e-mail com o seguinte conteúdo: o 4º colocado foi convocado. Na hora levei um susto, pois eu acreditava que seria convocado junto. Procurei saber o que aconteceu. Dos 3 cargos vagos devido às aposentadorias do mês passado, 1 foi transformado (o que eu já sabia) , 1 foi ocupado pelo 4º colocado (o que soube por meio do e-mail) e a bomba estourou quando soube o que fizeram com minha vaga: ela está reservada. E o que isso quer dizer? Uma candidata entrou com mandado de segurança, já que seu recurso junto à banca examinadora foi negado. Ela tirou 5,93 pontos na redação e pediu que sua nota fosse para 6,00 pontos, o que daria condição à sua aprovação. Juntamente a esse pedido, foi determinado pelo juiz que 1 vaga fosse reservada. E adivinhem quem foi o maior prejudicado nisso? “Eu”. O pior de tudo é o seguinte: ela tirou 88,00 pontos na prova que adicionados aos 6,00 pontos que ela está pedindo na redação dá uma soma de 94,00 pontos. Com essa pontuação, ela ficaria em 18º lugar. O que queria entender é: por que a “minha” vaga fica reservada, sendo que ainda faltariam 13 vagas até chegar a dela?

Desesperado, liguei para o STJ e falei com a chefe do setor de provimento e vacância. Ela afirmou que se não fosse esse mandado de segurança, eu já estaria lá. E mais, para eu ser nomeado é preciso aguardar o fim do processo ou que alguém se aposente. Em outras palavras: não há qualquer tipo de previsão novamente.

A diferença é que dessa vez, não esperarei passivamente. Procurei me informar e soube que talvez seja possível fazer com que o juiz suspenda a liminar, mostrando que 93,00 + 8,80 = 101,80 (minha nota final) é maior que 88,00 + 6,00 = 94,00 (possível nota final da candidata que entrou com mandado de segurança). É triste, mas na hora de tomar uma decisão séria como essa, parece que o óbvio não aparece, ferindo um dos princípios mais importantes do Direito – o da razoabilidade e proporcionalidade.

Fiz questão de escrever esse texto para vocês, assim que soube dessa notícia. Agora vou procurar tirar a mágoa do coração indo atrás disso, vou procurar conhecidos até achar uma solução viável. É indescritível a angústia que estou sentindo, pois apesar de tudo o que nós, concurseiros, fazemos, no fim ainda parece ser pouco. Não há respeito por ninguém, nem o Poder Judiciário nos respeita. Justiça? O dia em que ela existir, o mundo é que não mais existirá.



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Rumo ao STJ: da preparação ao concurso

Normalmente todos começam o ano com um desejo, e o meu para 2008 foi passar em um concurso público para nível superior. Desde o início do ano, tentei me conscientizar de que precisava estudar. Não foi uma tarefa fácil. Dificilmente conseguia sentar e abrir um livro. Quando realizava tal proeza, era por uma só vez e logo em seguida recomeçava a luta. Faltava ânimo.

Em janeiro de 2008, entrei em um cursinho para o concurso da CGU, pois o concurso estava próximo e já poderia ir me preparando para o concurso do TCU também, já que havia muitas matérias em comum. Não fiquei nem 2 semanas e já tranquei o cursinho. Procurei estudar em casa mesmo, mas também não consegui.

O tempo passou até que, em abril de 2008, após muito refletir, concluí que precisava tomar alguma atitude, pois até então não tinha feito nada para conquistar meu objetivo. Pensei em começar estudando as matérias básicas (português, direito constitucional e direito administrativo) para, depois que estivesse no ritmo, focar em algum concurso. Comecei a me planejar. O primeiro problema que observei foi o cansaço. Estava sendo muito difícil trabalhar 8h e estudar. Isso porque até então nem havia iniciado algum cursinho. Foi quando tive a idéia maluca de pedir redução de carga horária em meu serviço. Tinha em mente estudar pela manhã, trabalhar à tarde e fazer cursinho à noite. Vi no regulamento interno que seria possível reduzir a carga para 6h/dia ou 4h/dia. O lado ruim disso seria reduzir proporcionalmente minha remuneração. Cheguei a minha casa com essa idéia e todos foram contra, justamente pelo fato de eu estar teoricamente regredindo. Reduzir e ampliar a carga são atos discricionários da chefia do departamento. Poderia ser, portanto, um caminho sem volta.

Estava decidido. Pedi redução de carga para 6h/dia. Tinha em mente que naquele momento estaria dando um passo para trás para depois dar um salto à frente. Após todos os trâmites burocráticos, em maio de 2008, consegui minha redução. O problema novamente foi conseguir focar nos estudos.

Em julho de 2008, fiz a prova de Analista e Técnico Administrativos do concurso do STF. Assim que saí da prova e cheguei a minha casa, senti-me decepcionado e muito mal. Havia perdido uma grande chance de conquistar meu objetivo. Naquele momento decidi não mais perder oportunidades. Percebi que um excelente lugar para trabalhar seria em algum órgão do Poder Judiciário, devido às inúmeras vantagens como generosos auxílios, recessos, carga horária reduzida (sem perda proporcional de remuneração! rs), muitas funções comissionadas, dentre outras. Assim, procurei outro órgão do judiciário com concurso aberto e me deparei com o STJ. A primeira coisa que fiz foi procurar um cursinho completo e organizar meus horários, pois a prova estava próxima: seria dia 28 de setembro de 2008.

Como fonte de motivação, procurei me informar sobre todas as vantagens possíveis do STJ. Descobri que lá é o único órgão do judiciário que tem a carga horária de 6h/dia regulamentada por portaria. Os turnos de trabalho são das 7h às 13h e das 13h às 19h. Nas dependências do STJ há restaurantes, academia, salão de beleza, consultório odontológico, agência dos correios, agência bancária, dentre outras facilidades. A remuneração de Analista era de R$ 6067,57, pelo edital do concurso de 17 de julho de 2008. Atualmente devido à última parcela do aumento (dezembro de 2008) acordado pela lei nº 11416/2006, a remuneração foi para R$ 6551,52. Sem contar com o auxílio-alimentação de R$ 630,00. Ah, o sindjus (sindicato dos servidores do judiciário) já tem pronta a nova proposta de aumento. A remuneração proposta é de mais de R$ 13000,00 para os analistas. No fim, acho que me motivei. rs

Tive aulas de domingo a domingo, salvo raras exceções. Todo tempo vago era aproveitado para estudar, exceto sábado à noite, tempo em que procurava me divertir. Foi um período super estressante. Planejei inclusive tirar 2 semanas de férias antes da prova para dar aquele último gás. O planejamento foi essencial. Tinha inclusive uma planilha que usava para esquematizar a matéria a ser estudada em cada dia do mês até a data da prova. Ao final de cada dia, anotava o tempo total de estudo e o que foi estudado, como forma de controle. O cursinho para mim sempre foi essencial, principalmente para dar ritmo de estudo e tirar as dúvidas. Para reforçar minha tese de que não existe regra para passar em concursos, gostaria de ressaltar que decidi, por minha conta e risco, ausentar-me de todas as aulas de Gestão de Pessoas e estudar apenas por meio de material impresso. Além disso, um dia antes da prova houve uma aula de Windows Vista, tema até então não abordado no cursinho e nunca cobrado em concursos. A chance de cair esse tópico na prova do STJ seria muito grande, mesmo assim, no dia 26 de setembro (última sexta-feira antes da prova), fiquei até de madrugada estudando uma apostila que consegui de Windows Vista e deixei o dia 27 livre para estudar o que faltava para a prova. Naquele dia, bati o recorde de tempo de estudo, que eu sempre cronometrava, estudei aproximadamente por 9h até aproximadamente 22h. Também não segui aquela teoria de relaxar um dia antes da prova. :p

No dia 28, fiz a prova de Analista pela manhã e de Técnico à tarde. A primeira coisa que fiz ao receber a prova de Analista foi olhar o tema da redação, pois era justamente isso que me amedrontava. Assim que vi que era sobre motivação (Gestão de Pessoas), abri um sorriso e respirei aliviado, afinal foi justamente a motivação que me permitiu estudar com garra. Fiz a prova com o máximo de atenção e a reli 3 vezes. Detalhe: não caiu Windows Vista. :) À tarde, um pouco cansado, fiz a prova de técnico sem qualquer pressão, já que meu foco era passar como Analista.

A ansiedade começou assim que saí da prova, pois queria saber o resultado. Dois dias depois, corrigi minha prova de Analista com o gabarito preliminar e minha nota havia sido 87,00 pontos. Minha colocação, em um ranking não oficial, era o 12º lugar . Dizem que para se ter noção da classificação real, basta multiplicar por 3 a classificação de um ranking não oficial. Acreditei, portanto, estar entre os 40 primeiros lugares. Com o gabarito oficial, após todos os recursos, minha nota subiu 6,00 pontos e foi para 93,00. Com a nota da redação (8,80 pontos) fiquei com nota final 101,80 pontos. Perceba que os recursos podem mudar tudo. Na data prevista, o resultado final não saiu no DOU. Meus dias a partir daí, foram recheados de F5 (tecla utilizada para atualizar o browser). O tempo todo eu ficava atualizando a página da banca examinadora para saber se aparecia algum link para o resultado final, até que desisti. No dia em que resolvi não pensar mais nisso, logo cedo um amigo me ligou dando os parabéns e dizendo que havia ficado em 5º lugar. A princípio não acreditei e achei ser uma brincadeira com coisa séria. Queria ver para crer. Corri para a internet e digitei meu nome em uma ferramenta de busca. Encontrei a lista de classificados que saiu no DOU. Vi minha nota, 93,00 pontos, e classificação 189º lugar. Fiquei muito triste. Logo em seguida, porém, descobri que essa era a classificação da prova de Técnico em que, coincidentemente, tirei a mesma nota. Realmente era a mais maravilhosa verdade: eu era o 5º colocado.

Agora estou aguardando minha nomeação, pois, como disse no texto “Quando serei nomeado?”, apenas 3 analistas da área administrativa foram nomeados na primeira leva. A boa notícia é que na última segunda-feira, dia 9 de fevereiro, recebi uma ligação do STJ e adivinhe quem era? A chefe do setor de provimento e vacância de lá. Quase tive uma parada cardíaca. rs Eu já atendi falando: “era sua ligação que eu esperava”, “você não sabe como estou feliz com essa ligação”, “Seu nome é Wiviane, né??? E ainda com W, certo?”. No fim, quem levou um susto foi ela. rs Já havia investigado tudo sobre o setor que me convocaria. O que o desespero não faz. :) Mas ela já começou dizendo que era para eu ter calma, pois a ligação ainda não era para me convocar, mas para saber minha formação e o que faço da vida. Ela não conseguiu me passar uma data. Não contente, liguei novamente lá e ela já havia saído, então falei com um senhor super simpático. Consegui as seguintes informações: a Wiviane havia ligado apenas para o 4º e o 5º lugares, um dos três cargos vagos devido a aposentadorias iria ser transformado e que era para ficar tranquilo que muito em breve, provavelmente até o fim de fevereiro, eu deveria ser nomeado. Ainda não quero comemorar nada, mas acho que o fim desse sofrimento se aproxima. Resta-me pacientemente esperar que meu nome apareça no DOU.

Note que o mais difícil dessa minha jornada foi conseguir focar em meu objetivo, planejar uma rotina de estudos e colocar tudo em prática com bastante determinação. Gostaria de encerrar com uma frase que sempre tenho em mente e me ajuda a abrir mão dos diversos prazeres da vida para estudar: “O seu sucesso é determinado por tudo aquilo que você está disposto a ignorar.” Mike Murdock.



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Quando serei nomeado?

O nível dos concursos está cada vez mais elevado. Provas mais bem elaboradas e concorrência maior e mais qualificada. Costumamos ter metas como: estudar tais conteúdos, ficar entre os primeiros x lugares, mas parece que isso não é mais o suficiente.

Fiz a prova de Analista Judiciário – Área Administrativa do STJ com o objetivo de estar classificado entre os 120 primeiros lugares, pois esse era o número de redações que seriam corrigidas. Com base no número de convocações do último concurso (72), pensei que minha chance de ser convocado seria muito boa, já que alguns provavelmente reprovariam na redação que teve como nota de corte 6,00 pontos.

Consegui atingir minha meta. Fiquei entre os 120 primeiros, mais especificamente no 5º lugar. E o que é estar em 5º lugar? Até então sempre imaginei que estar entre os 20 primeiros fosse algo muito bom e que já garantisse a nomeação na primeira leva de aprovados. Porém minha visão mudou.

Tudo começou com o edital do concurso: “Concurso Público para Formação de Cadastro Reserva”. Muita gente já desistiu aí, pelo fato de ser um cadastro reserva. E por que o STJ fez um concurso assim? Pois já virou jurisprudência desse tribunal que os aprovados em vagas definidas por edital de concurso tenham direito adquirido à nomeação. Fica, portanto, mais fácil não determinar vagas. Como se não bastasse, foi feita a primeira leva de nomeações com posse prevista para o dia 2 de fevereiro. E quantos chamaram? Apenas 3 (três) analistas da área administrativa. Parece absurdo, mas foi justamente o que aconteceu. Já liguei para o setor de provimento e vacância, procurei me informar sobre o que havia acontecido e se havia alguma previsão para a próxima leva de nomeações. E a resposta que obtive foi: “Não há como saber, tudo depende das vacâncias que acontecem de forma não prevista”.

Dia 28 de janeiro foi publicada no DOU uma aposentadoria de um analista da área administrativa. Dia 30 de janeiro, mais duas. As vagas surgiram e teoricamente estou dentro. Digo teoricamente, porque isso ainda não é o suficiente para afirmar nada, já que está se tornando costumeira a transformação de cargos. Recentemente, dia 26 de dezembro de 2008, foram nomeados analistas para a área de arquivologia e biblioteconomia, cargos que eram da área administrativa e foram transformados para essas áreas específicas. Procurei saber se eles também pretendiam transformar esses novos cargos e parece que um deles será convertido para a área de contabilidade.

O que gera tamanha ansiedade é viver de incertezas. O pessoal do RH do STJ é bastante simpático quando consultado, mas não dá informações precisas. Seria muito mais fácil ter uma data, mesmo que distante. Pelo menos assim, eu poderia me planejar e me preparar para tomar posse naquele momento. Atualmente eles estão muito ocupados com as recentes nomeações e estou evitando criar esperanças de ser em breve convocado. O jeito é esperar e deixar as coisas acontecerem do jeito que tiver de ser. Hoje posso afirmar: Para ter certeza de que você será realmente nomeado, esteja no primeiro lugar!



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Bacen – preparação, concurso e ambiente de trabalho

No ínicio do mês de outubro de 2005, em meio a uma das inúmeras greves da UNB, procurei fazer um cursinho, pois nunca havia estudado para concursos. Primeiramente seria necessário escolher um concurso para focar e não tinha a mínima noção do que fazer. Tentei escolher um concurso de nível médio, ainda faltava 1 ano para me formar, pelas matérias cobradas e me deparei com o Bacen. Nas grades horárias dos cursinhos estavam, dentre outras matérias, matemática, raciocínio-lógico e noções de economia, matérias que um estudioso de exatas tem facilidade em estudar. Os cursinhos tiveram um pouco de dificuldade para determinar o que poderia ser cobrado, pois não dava para se basear no concurso anterior, já que havia sido realizado há mais ou menos 20 anos.

Entrei em um cursinho e fiz praticamente 2 semanas de aula, quando no dia 27 de outubro de 2005 foi publicado o edital. E para surpresa de muitos, muitas das matérias previstas não estavam sendo cobradas. As seguintes matérias estavam no edital: em conhecimentos gerais, Português, Direito (Administrativo e Constitucional), Atualidades, Raciocínio Lógico-Quantitativo e, em conhecimentos específicos, Teorias e Normas de Segurança. A banca examinadora era a FCC. Cheguei a pensar em desistir desse concurso, pois acreditava que meu diferencial estaria justamente nas matérias de exatas e também porque nunca havia estudado Direito. Porém, após refletir por algum tempo, resolvi continuar, afinal “entrou na chuva é para se molhar”. Ninguém entendeu o porquê de serem cobradas matérias de segurança. Muitas pessoas desistiram de realizar o concurso, pois temiam trabalhar com armas de fogo. O edital não foi claro quanto a isso e, portanto, muita gente estudou na esperança de trabalhar até mesmo na área fim do Bacen.

Apesar de a UNB estar em greve, estava tendo aulas de duas matérias e ainda trabalhando. Cada minuto era essencial para mim. Procurava ficar todo o meu tempo vago em uma sala de estudos, só assim para me dedicar o máximo aos livros. Com exceção de sábado à noite, horário em que procurava me divertir um pouco e descansar a cabeça, todos os dias eram dias de estudo. Tanto que no dia 31 de dezembro de 2005 apareci em uma reportagem da TV Globo, como já citei no depoimento “Resumo da minha trajetória de concurseiro”.

Dia 8 de janeiro de 2006 realizei a tão esperada prova. Acho que minha tranquilidade me ajudou a conquistar o resultado que consegui. Saí da prova confiante de que o resultado seria bom. Das 60 questões havia acertado 55. Conquistei o 26º lugar. Como segunda etapa do concurso, fiz um curso de formação com matérias de segurança. Ao final havia uma prova eliminatória. Todos foram aprovados.

Dia 12 de junho de 2006 foi o tão sonhado dia da posse. De início fiz um curso de ambientação e formação (AMFOR) na universidade Banco Central (UNIBACEN) por 2 semanas. Em seguida, o segundo curso na Agência Nacional de Polícia (ANP) por mais 2 semanas que nem todos fizeram, só os habilitados em um teste psicotécnico. Nesse curso, fizemos aulas de tiro, defesa pessoal, direção ofensiva, segurança de dignitários, e outras mais. Fiz um curso parecido com o que o Rambo fez. rs Só a partir daí que efetivamente comecei a trabalhar.

Descobri que só existiu esse concurso para técnico por causa do furto ao Banco Central de Fortaleza. Não havia um departamento específico de segurança. Com a nossa chegada, ele foi criado e todos os indícios indicaram de forma correta que iríamos trabalhar com segurança. Alguns efetivamente foram trabalhar com porte de armas, outros com a parte administrativa mesmo, como eu. Alguns analistas aprovados na Área 5 (geral ou administrativa) também foram designados a trabalhar nesse novo departamento. Felizmente os técnicos puderam fazer uma lista de prioridades dos setores que queriam trabalhar. Como engenheiro, optei pela área de projetos. Nem todos foram para a área de segurança, alguns foram para departamentos diversos. Boa parte das mulheres conseguiram ir para a SECRE (secretaria executiva).

Como fiquei em um departamento recém criado, o volume de trabalho sempre foi pequeno. As atividades foram surgindo aos poucos, mas até hoje não há uma rotina de atividades definida.

O ambiente de trabalho, no geral, é muito bom. Existem muitas facilidades por aqui (Edifício-Sede Brasília): agência bancária, agência dos correios, lanchonete com banca de revistas, ponto de ônibus em frente à entrada, 2 estações do metrô muito próximas, estacionamento fechado para servidores, dentre outras. Porém um ponto negativo, que definitivamente me motivou a estudar, é o preconceito que boa parte dos analistas possui contra os técnicos. A cultura do Bacen, já solidificada, nos trata de uma maneira diferenciada. Há uma nítida separação de funções, sendo que as funções mais nobres ficam com os analistas e as operacionais com os técnicos. Não há claramente uma Gestão por Competências. Boa parte dos técnicos possui grandes habilidades que ficam subutilizadas por causa dessa visão de que as pessoas capacitadas são as aprovadas em um concurso de nível superior. Foi feita uma pesquisa e grande parte de nós tem ou está cursando o nível superior. Infelizmente, nós somos tratados como a descrição de nosso cargo sugere: meros “auxiliares de analistas”. São raras as funções comissionadas que são designadas para técnicos, ficando a grande maioria com os analistas.

É claro que, apesar desse ponto negativo que citei, existem vários atrativos para esse concurso de técnico do Bacen. A remuneração inicial do concurso de 2005 era de pouco mais de R$ 3100,00. Atualmente, com a MP nº 440 convertida na lei nº 11890/2008 , o agora subsídio inicial é de aproximadamente R$ 5000,00. O plano de saúde (PASBC) é um dos melhores do serviço público federal. Há uma ampla opção de conveniados. Paga-se uma pequena porcentagem fixa mensal, dependente da faixa etária do beneficiário, e um percentual máximo se utilizado o plano.

Com relação ao concurso que está por vir, parece que haverá 2 áreas para o cargo de técnico (administrativa e de segurança) e 6 áreas para o cargo de analista (as 5 do concurso anterior e mais 1 área de segurança). Estão querendo criar uma área específica para segurança com o objetivo de possibilitar que entrem pessoas que realmente queiram trabalhar com esse assunto e não se sintam desmotivadas por ter de fazê-lo compulsoriamente como tem ocorrido. O fluxo de saída de pessoas do departamento é muito grande, apesar de ser bastante complicado conseguir uma mobilidade interna, e praticamente não há reposição do corpo funcional.

Foram dados os primeiros passos para se implantar uma Gestão por Competências no Bacen. Porém enquanto houver essa separação entre técnicos e analistas, fortemente influenciada pela presença de dois sindicatos (SINTBACEN – sindicato dos técnicos do bacen e SINAL – sindicato dos analistas do bacen), dificilmente será atingido um resultado satisfatório.



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